terça-feira, 7 de outubro de 2014

Agência aguarda plano para avaliar uso de 2ª volume morto do Cantareira

Agência aguarda plano para avaliar uso de 2ª volume morto do Cantareira

Sabesp não havia enviado documento final até a noite desta segunda-feira.
Volume atual do sistema abastece Grande SP até novembro, diz secretário.

Isabela Leite Do G1 São Paulo
A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que ainda aguarda o envio da versão final do plano de demanda e de contingência do Sistema Cantareira feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para analisar o pedido de uso da segunda cota da reserva técnica (volume morto). O prazo vence nesta segunda-feira (6).
O Cantareira abastece atualmente 6,5 milhões de pessoas na capital e Grande São Paulo, mas opera com 5,8% da capacidade. O novo documento da Sabesp substituirá a versão enviada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de São Paulo em 26 de setembro, que necessitava de correções de métodos e apresentação de novos estudos.
Segundo a ANA, o plano atualizado não havia sido entregue até o fim do expediente dos técnicos, às 18h30 desta segunda-feira. Caso seja enviado após esse horário, a agência não descarta a possibilidade de analisar o pedido, mesmo com atraso.
A extensão do prazo foi solicitada pela Sabesp. A companhia afirmou que o projeto está em elaboração e que será entregue quando for finalizado, mas a data de envio não foi divulgada. O DAEE, responsável pelo envio oficial à Agência Nacional de Águas, não havia se manifestado sobre o assunto até as 20h.
2º volume morto
A ANA informou, em comunicado, que o plano de operação dos reservatórios do Cantareira, incluindo regras de funcionamento das bombas instaladas e a construir, é imprescindível para que os órgãos reguladores possam analisar e autorizar, se for o caso, a utilização da segunda cota fo volume morto do sistema, que possui 106 bilhões de litros armazenados.
O pedido para a captação do volume abaixo das comportas da represa Jaguari-Jacareí foi formalizado pela Sabesp no fim de setembro. Os cinco reservatórios do sistema não registram aumento desde maio mas, até o momento, o governo paulista só obteve o aval da ANA e do DAEE para fazer as obras para a exploração da outra parte da reserva técnica.
A Sabesp não divulgou data para o início da captação e informou que ela será feita apenas se for necessário. No entanto, as bombas já estão prontas para operação. A segunda cota do volume morto do Cantareira vai elevar em 10,7 pontos percentuais a capacidade das cinco represas, de acordo com a companhia de abastecimento.
Capacidade atual até novembro
A crise hídrica no estado causou queda no nível dos reservatórios do Sistema Cantareira. Em setembro, o secretário estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que o atual volume de água do Cantareira abastece a população até novembro. “Continuando sem chover, o atual volume do Cantareira nos garantiria (...) até o dia 21 de novembro com o volume que eu tenho hoje”, disse.
Já o governador Geraldo Alckmin (PSDB), reeleito no domingo (5), disse que o pior do período de seca já passou e que espera não usar a outra cota do volume morto. Apesar das seguidas quedas no nível dos reservatórios, o tucano descarta a implantação de racionamento e defende que, mesmo sem chuva na primavera e no verão, o abastecimento da Grande São Paulo está garantido até março de 2015.
Desde 16 de maio o sistema capta água do seu volume morto. À época, o Cantareira marcava 8,2% da capacidade, menor nível em suas medições. Naquela data, o acréscimo da reserva técnica elevou a capacidade para 26,7%. Mas, desde maio, o sistema continuou entregando mais água do que recebe.
Três ações fazem parte da estratégia estadual em curto prazo para amenizar a crise: bônus na conta de água, uso de outras represas como alternativa ao Cantareira para o abastecimento de determinados bairros e a redução na pressão da água distribuída à noite.
Um barco é visto no meio do leito de lago quase seco atrás da represa Nazaré Paulista, que faz parte do Sistema Cantareira, que fornece água para a cidade de São Paulo. A pior seca em 80 anos deixou o sistema com o menor nível de água já registrado (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)Barco é visto no meio do leito de lago quase seco atrás da represa Nazaré Paulista, que faz parte do Cantareira.
A pior seca em 80 anos deixou sistema com o menor nível já registrado (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)


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