quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Cidades

Cidades provocam 80% da poluição de córregos e rios

Jean Paterno
22/03/2013 às 00:00 - Atualizado em 01/09/2014 às 22:11
Há um abismo entre o fervor do discurso e a timidez das ações práticas para mudar o tratamento que o Oeste dá para os seus rios, cursos d´água e aos reservatórios que tornam esse recurso abundante na região. No Dia Mundial da Água, o momento é muito mais de reflexão do que de comemorar qualquer avanço, se é que ocorreu algum. A hora é de atitude e de transformar palavras bonitas em resultado, avalia o consultor ambiental Luiz Klajn, de São Miguel do Iguaçu, que enxerga as cidades e o crescimento desordenado como os maiores inimigos da natureza na atualidade.
Mais de 80% do problema da contaminação dos rios, que no Oeste é considerado grave, tem origem nos centros urbanos. “O agricultor, por força da lei, da intimação e das pesadas punições têm feito a sua parte, mas ele não consegue transformar um cenário de desolação sozinho”, conforme Luiz. A construção de um cenário em que discurso combine com ação precisa envolver prefeitos, entidades ambientais, escolas e principalmente a comunidade. “Sem isso, é o mesmo que enfrentar um incêndio em um posto de combustíveis munido apenas de uma pequena caneca”.
O crescimento das cidades sem o necessário planejamento ambiental cria um passivo temeroso, conforme o consultor ambiental Luiz Klajn. A maioria das cidades da região ainda não conta com sistemas de coleta e de tratamento de esgoto. Até as maiores e mais estruturadas ainda estão longe da cobertura que há muito deveria ser a ideal. O resultado é o lançamento de dejetos domiciliares e industriais em áreas impróprias, geralmente cursos d´água ou córregos que, por sua vez, chegam aos rios e, por meio desses, aos reservatórios de Salto Caxias e de Itaipu. “Somos privilegiados pela abundância de água, mas não sabemos respeitar nem utilizar esse recurso comercialmente”, conforme Luiz. 

Vistas grossas

O rigor dos órgãos ambientais para cobrar cuidados do agricultor se transforma em omissão quando a esfera em análise é a cidade. Sem programas específicos, a poluição só aumenta e inutiliza o efeito de qualquer trabalho que tenha a responsabilidade ambiental como meta. A mudança só virá com programas sérios, comprometidos e que tenham o envolvimento de todos. “Mais do que votos, a preocupação tem que ser a qualidade de vida e a preservação de um bem indispensável para o presente e para o futuro do homem”.
Embora faça a sua parte, o agricultor enfrenta outros desafios, conforme Luiz Klajn. Ele se refere à importação de agrotóxicos do Paraguai, que chegam contrabandeados e colocam não apenas os rios, mas também os cultivos em risco. E também ao novo Código Ambiental Brasileiro que, segundo ele, ainda traz mais dúvidas do que esclarecimentos. Enquanto os temas da água e do meio ambiente não forem tratados sem ideologias, sem paixões partidárias e sem interesses politiqueiros, pouco de prático e na direção certa será feito no País, lamenta o consultor.
Divulgação
Pelo menos 80% do problema da poluição dos rios e reservatórios
tem origem nas cidades. Só ação enérgica e integrada pode mudar cenário

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