Cidades
Cidades provocam 80% da poluição de córregos e rios
Jean Paterno
22/03/2013 às 00:00 - Atualizado em 01/09/2014 às 22:11
Há um abismo entre o fervor do
discurso e a timidez das ações práticas para mudar o tratamento que o
Oeste dá para os seus rios, cursos d´água e aos reservatórios que tornam
esse recurso abundante na região. No Dia Mundial da Água, o momento é
muito mais de reflexão do que de comemorar qualquer avanço, se é que
ocorreu algum. A hora é de atitude e de transformar palavras bonitas em
resultado, avalia o consultor ambiental Luiz Klajn, de São Miguel do
Iguaçu, que enxerga as cidades e o crescimento desordenado como os
maiores inimigos da natureza na atualidade.
Mais de 80% do problema da contaminação dos rios,
que no Oeste é considerado grave, tem origem nos centros urbanos. “O
agricultor, por força da lei, da intimação e das pesadas punições têm
feito a sua parte, mas ele não consegue transformar um cenário de
desolação sozinho”, conforme Luiz. A construção de um cenário em que
discurso combine com ação precisa envolver prefeitos, entidades
ambientais, escolas e principalmente a comunidade. “Sem isso, é o mesmo
que enfrentar um incêndio em um posto de combustíveis munido apenas de
uma pequena caneca”.
O crescimento das cidades sem o necessário
planejamento ambiental cria um passivo temeroso, conforme o consultor
ambiental Luiz Klajn. A maioria das cidades da região ainda não conta
com sistemas de coleta e de tratamento de esgoto. Até as maiores e mais
estruturadas ainda estão longe da cobertura que há muito deveria ser a
ideal. O resultado é o lançamento de dejetos domiciliares e industriais
em áreas impróprias, geralmente cursos d´água ou córregos que, por sua
vez, chegam aos rios e, por meio desses, aos reservatórios de Salto
Caxias e de Itaipu. “Somos privilegiados pela abundância de água, mas
não sabemos respeitar nem utilizar esse recurso comercialmente”,
conforme Luiz.
Vistas grossas
O rigor dos órgãos ambientais para cobrar cuidados
do agricultor se transforma em omissão quando a esfera em análise é a
cidade. Sem programas específicos, a poluição só aumenta e inutiliza o
efeito de qualquer trabalho que tenha a responsabilidade ambiental como
meta. A mudança só virá com programas sérios, comprometidos e que tenham
o envolvimento de todos. “Mais do que votos, a preocupação tem que ser a
qualidade de vida e a preservação de um bem indispensável para o
presente e para o futuro do homem”.
Embora faça a sua parte, o agricultor enfrenta outros desafios,
conforme Luiz Klajn. Ele se refere à importação de agrotóxicos do
Paraguai, que chegam contrabandeados e colocam não apenas os rios, mas
também os cultivos em risco. E também ao novo Código Ambiental
Brasileiro que, segundo ele, ainda traz mais dúvidas do que
esclarecimentos. Enquanto os temas da água e do meio ambiente não forem
tratados sem ideologias, sem paixões partidárias e sem interesses
politiqueiros, pouco de prático e na direção certa será feito no País,
lamenta o consultor.| Divulgação |
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Pelo menos 80% do problema da poluição dos rios e reservatórios tem origem nas cidades. Só ação enérgica e integrada pode mudar cenário |
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