12.8.13
ÁGUA PARA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS: ESPERANÇA PARA AS FAMÍLIAS AGRICULTORAS
Por Júnia Gonçalves - Comunicadora Popular ASA/CAV

Valter Lemos de Matos e sua esposa Andrelina de Matos Souza moram com
seus dois filhos, Patrícia Lemos de Matos e Wagner Lemos de Matos, na
comunidade rural de Morro Branco, que fica a aproximadamente 12
quilômetros do município de Chapada do Norte (MG). Esta é uma das
famílias da região que enfrentaram constantes dificuldades de acesso à
água.
Na propriedade de aproximadamente 6 hectares em que mora, a família
sempre plantou feijão, arroz, milho, mandioca, cana de açúcar, amendoim,
entre outros. Com o passar dos anos, a água da região diminuiu e o
mesmo aconteceu com a produção. A família conta que, por muitas vezes,
foi preciso andar grande distância para buscar água até para o consumo
da casa. Estes fatos sempre representaram obstáculos para a produção de
alimentos na propriedade, embora a família não tenha desistido do
cultivo. A falta de apoio no campo, juntamente com as dificuldades para
produzir, fizeram com que Valter precisasse migrar para outras regiões
em busca de condições para sustentar a família. Anualmente, ia para a
colheita de café, corte de cana de açúcar ou construção civil, enquanto
sua família permanecia na roça cuidando da propriedade.
Em 2003, o Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV), unidade
gestora do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) pela Articulação no
Semiárido (ASA), construiu na propriedade uma cisterna para captação e
armazenamento da água da chuva, com capacidade de 16 mil litros.
Andrelina e Valter contam que com esta cisterna não foi preciso mais
buscar água para o consumo da casa na época da seca. Outra grande
transformação na vida da família veio com o acesso à água para produção
de alimentos a partir de 2009.
Cultivando a terra e colhendo resultados
O primeiro apoio para que a família tivesse a água para produzir
alimentos veio em 2009 através da Cáritas Diocesana de Araçuaí, unidade
gestora do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), também pela ASA. Na
propriedade foi construída uma cisterna-calçadão com capacidade para
armazenar 52 mil litros de água da chuva. Com este apoio eles puderam
ter no quintal uma horta agroecológica com verduras e hortaliças frescas
para o consumo.
Em 2012, o CAV inicia em Morro Branco ações de acesso e gestão da água
para além da cisterna do P1MC, como cercamento de nascentes, construção
de barraginhas e bacias de contenção e cursos, com apoio de organizações
internacionais. A família de Andrelina foi uma das beneficiadas com
estas ações, e a construção de uma barraginha no seu quintal
possibilitou ampliar a produção. A família conta com alegria que
atualmente cultiva alface, repolho, couve, almeirão, salsa, cebola,
mostarda, pepino, cenoura, beterraba, abóbora, ervilha, dentre outros.
Dessa forma, além de melhorar a alimentação da família, o excedente é
vendido na feira livre de Chapada do Norte. Por serem feirantes também
conseguiram outros benefícios por meio do Programa de Apoio às Feiras
Livres desenvolvido pelo CAV, como a compra conjunta de esterco e
assistência técnica, o que tem contribuído para fortalecer ainda mais a
produção.
Valter, que há 25 anos migrava, em 2013 permaneceu junto de sua família,
pois além de ter água para produzir, ele está trabalhando nas
comunidades de Chapada do Norte como pedreiro na construção de cisternas
de 16 mil litros pela ASA. A família acredita que com a cisterna de
placa, a cisterna-calçadão e a barraginha, eles terão água para produzir
alimentos durante todo o período da seca. O casal também ressalta a
importância dos programas da ASA e do quanto aprenderam com este
processo. Afirmam que além de terem água e alimentos saudáveis para
consumir, a horta também possibilita a geração de renda. A família
percebe que também foi fundamental o apoio e a assistência técnica
continuada realizada pelo CAV. Segundo Valter, todas estas ações juntas
têm trazido melhorias e novas esperanças para os agricultores e
agricultoras.
Em 2013, mais famílias do município de Chapada do Norte, assim como de
Berilo e Francisco Badaró, serão contempladas com tecnologias de
captação e armazenamento de água da chuva para produção de alimentos e
processos de formação através do P1+2. A partir do patrocínio da
Petrobras, o CAV se tornou uma das Unidades Gestoras Territoriais deste
programa pela ASA, e construirá nestes municípios 270 tecnologias. Estas
ações irão contribuir para a melhoria da qualidade de vida de
agricultores (as) no Vale do Jequitinhonha, assim como aconteceu com a
família de Valter e Andrelina.
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