terça-feira, 7 de outubro de 2014

Avaliação da qualidade das águas pluviais em estação situada no Campus de Santo André-SP da UFABC com vistas à sua reutilização.

 Ficha de Inscrição para PIC/PIBIC – Edital 02/2011

Favor preencher as informações abaixo:
Título do projeto: Avaliação da qualidade das águas pluviais em estação situada no Campus de Santo André-SP da UFABC com vistas à sua reutilização.
Nome do Aluno: Juliene Rodrigues Dos Santos
RA do aluno: 11132808
e-mail do aluno: juju.angell@hotmail.com
Nome do Orientador: Profa. Dra. Tatiane Araujo de Jesus
e-mail do orientador (Preferência por institucional):_________________@ufabc.edu.br

Declaração de Interesse por Bolsa

Favor declarar se o aluno deseja obter bolsa institucional de iniciação científica nos termos do edital 02/2011 ou deseja participar como voluntário: A aluna deseja obter bolsa institucional de iniciação científica nos termos do edital 02/2011

Palavras-chave do projeto: Aproveitamento de águas pluviais; Sustentabilidade; Saneamento









Avaliação da qualidade das águas pluviais em estação situada no Campus de Santo André-SP da UFABC com vistas à sua reutilização.



Candidata: JULIENE RODRIGUES DOS SANTOS





Orientador: Profa. Dra. Tatiane Araujo de Jesus









Santo André
Abril de 2010

Resumo
A água tem-se tornado um fator limitante para o desenvolvimento, mesmo em regiões em que a água é relativamente abundante. Por outro lado as cidades sofrem com as enchentes que causam a disseminação de doenças na população e congestionamentos.
Entre as possibilidades para redução desses problemas está o aproveitamento das águas de chuva. Porém, existe um desafio tecnológico associado a sua utilização face aos problemas de qualidade da água, em especial daquela proveniente das primeiras precipitações, que carregam os poluentes do ar e detritos que se acumularam nas superfícies onde é coletada a água.
O problema da disponibilidade de água potável é antigo e vem se agravando com o passar do tempo, devido especialmente ao aumento da população e da poluição dos mananciais. Visando minimizar os impactos causados nos recursos hídricos, a busca de fontes alternativas de abastecimento de água torna-se imperativo. Neste contexto, se insere o aproveitamento da água da chuva.
A pesquisa busca analisar as mudanças de qualidade das águas de chuva na cidade de Santo André, dentro da UFABC, com amostras coletadas após o descarte de volumes iniciais previamente estipulados. Pretende-se assim contribuir para o melhor aproveitamento das águas de chuva. Foram construídos três equipamentos, cada um projetado para descartar uma quantidade diferente da primeira precipitação: zero, 2mm, 5mm. Serão realizadas coletas mensais de três amostras fornecidas por cada equipamento. Essas amostras serão analisadas no laboratório, e também com o kit de Análise de Água de Superfície, de acordo com os parâmetros da norma NBR 15527.
Palavras-chave: Aproveitamento de águas pluviais; Sustentabilidade; Saneamento.
  1. INTRODUÇÃO

A água oriunda das chuvas causa problemas nas cidades afetando a vida da população. As cidades sofrem com as enchentes ocasionadas pela impermeabilização do solo, e acúmulo de detritos sólidos. Essas enchentes acarretam outros problemas como a disseminação de doenças na população e congestionamentos. O ABC é um exemplo, a inundação trouxe prejuízos à Prefeitura de Santo André e à sociedade, com o desmoronamento das margens do rio Tamanduateí na Avenida dos Estados em frente à UFABC.
Entre as possibilidades para redução dos problemas de enchentes está o aproveitamento das águas pluviais. Porém, existe um desafio tecnológico associado à sua utilização face aos problemas de qualidade da água, em especial daquela proveniente das primeiras precipitações, que carregam os poluentes do ar e, em alguns casos, detritos de natureza diversa que se acumularam nas superfícies onde é coletada a água. Através do conhecimento da qualidade dessa água podemos aproveitá-la e assim evitar a ocorrência dessas situações.
1.1. A IMPORTÂNCIA DO APROVEITAMENTO DA ÁGUA DE CHUVA
A água tem-se tornado um fator limitante para o desenvolvimento urbano, industrial e agrícola. Muitas regiões de recursos hídricos abundantes podem sofrer por demandas elevadas e podem ser impactadas por conflitos de uso e restrições de consumo.
O risco de escassez é especialmente problemático, quando se considera que a água é essencial para a existência da própria vida sobre nosso planeta, e responsável pelo equilíbrio térmico da terra. (VALLE et al.,2005)
Uma fonte alternativa de água é o aproveitamento das águas de chuva, e ainda sua captação e armazenamento são maneiras de prevenção de cheias, pois a água captada não é jogada diretamente na rede de drenagem, reduzindo desta forma o escoamento rápido que é o principal causador de enchentes e enxurradas. A água coletada em telhados vem sendo usada para fins não potáveis como descarga de banheiros ou rega de jardins dessa forma contribuindo para a diminuição do consumo de água residencial. (VALLE et al.,2005)
Na Austrália 4 milhões de pessoas bebem água captada da chuva, com aplicação de tratamento simples apenas na água a ser usada e não em todo volume do reservatório. O aproveitamento da água de chuva no Brasil não acompanha o desenvolvimento do país, e só nas últimas décadas que esta prática tem ganhado destaque, principalmente na região do semi-árido nordestino onde é utilizada para o abastecimento da população. (GONÇALVES et al., 2006)
Estima-se que o aproveitamento de água da chuva trará a economia de 30% da água abastecida pela rede pública. No caso da cidade de São Paulo, esta economia parece ter mais importância já que 55% das águas consumidas são importadas de outras bacias. (KINKER, 2009)
1.2. SISTEMAS DE APROVEITAMENTO DA ÁGUA DE CHUVA
A primeira chuva contém impurezas, devido a deposições no telhado de matéria orgânica eliminada pelos pássaros e/ou trazidas pelo vento, como folhas e pequenos insetos. Essas águas devem ser desviadas do reservatório de armazenamento e são consideradas como águas de primeiro fluxo. Observa-se que a água de primeiro fluxo retida no descarte apresenta características físicas e químicas que a tornam de pior qualidade do que a armazenada. Assim, constata-se o interesse da eliminação do primeiro fluxo de chuva, como tem sido indicado por diversos autores. (GONÇALVES et al., 2006)
Independente do sistema de aproveitamento ser pequeno ou grande, ele é composto por: Área de captação/telhado; Tubulações para condução da água; Telas ou filtros para a remoção de materiais grosseiros, como folhas e galhos; Reservatório de armazenamento/cisterna. (GONÇALVES et al., 2006)
O reservatório de descarte destina-se à retenção temporária e posterior descarte da água coletada na fase inicial da precipitação e os volumes descartados são determinados em função da qualidade da água durante as fases iniciais de precipitação, que ocorrem após diferentes períodos de estiagem. (VALLE et al.,2005)
Na Austrália é recomendado um volume de descarte de aproximadamente 0,5 a 2mm. No Brasil, segundo a norma NBR 155271, o dispositivo de descarte deve ser dimensionado pelo projetista, senão, na falta de dados, o descarte deverá ser de 2mm da precipitação inicial (KINKER, 2009). A partir desse dado foram definidos nesta pesquisa os descartes de zero, 2mm e 5mm.
1.3. QUALIDADE DA ÁGUA
A qualidade do ar interfere na qualidade da água da chuva, dependendo das atividades desenvolvidas na região de influência do projeto, sejam elas industriais, agrícolas, de mineração, de construção civil, ou ainda por fontes móveis, como veículos.
A utilização de superfícies para a coleta da água também altera as características naturais da mesma. Assim, a qualidade da água da chuva, na maioria das vezes, diminui ao passar pela superfície de captação, o que leva a recomendação de descartar a água da primeira chuva.
1.4. O PROJETO
Foram construídos três equipamentos para a coleta das águas de chuva e o descarte das primeiras precipitações, projetados para descartar uma quantidade diferente da primeira precipitação: zero, 2mm, 5mm. Estão sendo realizadas coletas mensais de três amostras fornecidas por cada equipamento para analisar a qualidade da água da chuva com variação no descarte das primeiras águas. Essas amostras estão sendo analisadas no laboratório, e também com o kit da PoliControl, de acordo com os parâmetros da norma NBR 155271 e foram adicionados os parâmetros: fosfato, nitrato, condutividade, oxigênio dissolvido, DBO.
Espera-se assim estimar como a qualidade da água de chuva na caixa de armazenamento varia de acordo com o volume do descarte, e com isso fazer uma estimativa de seu possível uso para fins potáveis ou não potáveis.



  1. OBJETIVOS

    1. OBJETIVOS GERAIS
A pesquisa busca analisar as mudanças de qualidade das águas pluviométricas na cidade de Santo André, na região da UFABC, com amostras coletadas após o descarte de volumes iniciais previamente estipulados. Pretende-se assim contribuir para o melhor aproveitamento das águas de chuva.

    1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
O projeto visa o estudo para conhecer a qualidade da água da chuva, através da análise das amostras colhidas todo mês com variação nas quantidades de descarte das primeiras águas da chuva.
A coleta de amostras através do equipamento que está montado no estacionamento da Rua Santa Adélia, campus da UFABC. Essas amostras serão analisadas no laboratório, e também com o kit de educação ambiental de Análise de Água de Superfície, de acordo com os parâmetros da norma NBR 15527: coliformes totais, coliformes termotolerantes, turbidez, cor aparente e pH. De modo complementar serão utilizados os parâmetros do Kit de Análise de Água de Superfície: nitrato, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), pH, fosfato, turbidez, coliformes.
Assim pretende-se contribuir com a análise da qualidade de chuva na cidade de Santo André no campus da UFABC. E com a variação do descarte pretende-se analisar a indicação da norma NBR 15527 de descarte de 2 mm da precipitação inicial.


  1. METODOLOGIA

    1. Pesquisa Bibliográfica
  • Estudo do aproveitamento das águas pluviais e como desdobramento desse estudo confeccionar um inventário sobre o funcionamento de sistemas que foram implantados no ABC, como é o funcionamento, quais problemas foram detectados, que tratamento está sendo dado a água, entre outros aspectos.

3.2 Pesquisa Experimental
  • Continuidade na coleta das amostras mensais, três amostras para cada equipamento (são três equipamentos com descarte inicial da água de chuva de zero, 2 mm, e 5 mm). Liberação do armazenamento de descarte três vezes por semana.
  • A norma NBR 15527 é referente ao aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis, a qualidade da água da chuva deve ser definida pelo projetista de acordo com seu uso final. Porém em usos mais restritivos está apresentada na Tabela 1, onde além dos parâmetros mínimos exigidos aparece a freqüência com que estes parâmetros devem ser analisados, garantindo a qualidade ao longo do tempo.




Tabela 1 - Parâmetros de qualidade de água de chuva para usos restritivos não Potáveis.
Parâmetro
Periodicidade de análise
Valor
Coliformes totais
Semestral
Ausência em 100 mL
Coliformes termotolerantes
Semestral
Ausência em 100 mL
Cloro residual livrea
Mensal
0,5 a 3,0 mg/L
Turbidez
Mensal
< 2,0 uTb, para usos menos restritivos < 5,0 uT
Cor aparente (caso não seja utilizado
nenhum corante, ou antes, da sua utilização)
Mensal
< 15 uHc
Deve prever ajuste de pH para proteção das
redes de distribuição, caso necessário
Mensal
pH de 6,0 a 8,0 no caso de tubulação de aço
carbono ou
galvanizado
NOTA: Podem ser usados outros processos de desinfecção além do cloro, como a aplicação de raio ultravioleta e aplicação de ozônio.

a No caso de serem utilizados compostos de cloro para desinfecção.
b uT é a unidade de turbidez.
c uH é a unidade Hazen.
Fonte: ABNT, 2007

  • Através da análise dos parâmetros da norma NBR 15527 serão obtidos dados, os quais fornecerão meios de entender a composição da água da chuva na cidade de Santo André, para avaliar o aproveitamento que poderá ser feito dela, se possível o seu uso no abastecimento de água potável; evitando assim que essa água cause transtornos para a sociedade e viabilize trazer soluções para a cidade e melhoria de vida das pessoas.
  • A análise das amostras será mensal, utilizando os parâmetros da norma NBR 15527: coliformes totais, coliformes termotolerantes, turbidez, cor, pH; e os parâmetros do Kit de Análise de Águas de Superfície: nitrato, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), pH, fosfato, turbidez, coliformes.
  • As análises serão realizadas nos laboratórios didáticos da UFABC conforme disponibilidade de equipamentos e reagentes, e com o Kit de Análise de Águas Superfície.

3.3 Análise e elaboração de textos técnicos
  • Análise e interpretação dos dados obtidos

  1. CRONOGRAMA DE TRABALHO

CRONOGRAMA DE TRABALHO
Macro Atividade

Mês
AGO
2011
SET
2011
OUT
2011
NOV
2011
DEZ
2011
JAN
2012
FEV
2012
MAR
2012
ABR
2012
MAI
2012
JUN
2012
JUL
2012
Pesquisa
Bibliográfica
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Elaboração do Relatório Parcial



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Coleta e Realização dos ensaios
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Análise dos Dados/ Resultados
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Elaboração de textos técnicos








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Relatório
Final








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  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15527: Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não potáveis. Rio de Janeiro, 2007.11p.

GONÇALVES, R.F.; PHILIPPI, Luís Sérgio; VACCARI, Karla Ponzo; PETERS, Madelon Rebelo. (Esse é um livro com vários autores, o Gonçalves escreve e é o coordenador de tudo). Uso racional da água em edificações. Aproveitamento da Água de Chuva. Vitória: PROSAB, 2006. Cap. 3, p. 73-148. Disponível em: <http://www.finep.gov.br/prosab/produtos.htm>. Acesso em: 08 fev. 2010.

KINKER, Renato Sfair. Proposta de Implementação do Aproveitamento de Água de Chuva em Conjuntos Habitacionais de interesse social. 2009. 200p. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado Profissional em Habitação, Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, São Paulo, 2009.

VALLE, J.A.B.; PINHEIRO, A.; CIPRIANO, R.F.P.; FERRARI, A. (O nome de todos já está aqui)Aproveitamento de água de chuva: Avaliação do seu tratamento para fins potáveis. In: Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, 23., 2005, Campo Grande/MS. I-024 – Aproveitamento de água de chuva: avaliação do seu tratamento para fins potáveis. Blumenau: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental ABES, 2005. p. 1 - 9. Disponível em:<http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/abes23/I-024.pdf >. Acesso em: 04 fev. 2010.
ANEXO I – Fotos dos equipamentos de captação da água de chuva
Figura 1 - Foto: da esquerda para direita zero de descarte das primeiras precipitações, e descarte de 2 mm. Fonte: Autor, 2010.
Figura 2 – Foto: da esquerda para direita equipamento com descarte de 5 mm; tamanho da calha que acompanha área útil da telha. Fonte: Autor, 2010.
Figura 3 – Foto: demostração da mobilidade do sistema. Fonte: Autor, 2010.


Figura 4 – Foto: da esquerda para direita Dispositivos de Descarte: de 2 mm e descarte de 5 mm, junto com a caixa d' água de armazenamento. Fonte: Autor, 2010.


Figura 5 – Foto: as três estruturas de captação, descarte e armazenamento da água de chuva no estacionamento da UFABC. Fonte: Autor, 2010.

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